Qual a diferença da ergoespirometria para o teste ergométrico comum?

A ergoespirometria, também conhecida como teste de esforço cardiopulmonar, consiste em um teste ergométrico associado à medida da ventilação pulmonar e dos gases respiratórios (O2 e CO2) através de uma máscara facial ou um bocal. Com isso, o exame fornece todos os dados de um teste ergométrico comum, além de vários dados adicionais interessantes, sendo o exame de escolha no caso de atletas que pretendem otimizar seu treinamento.
Com a medida desses gases é possível calcular o consumo máximo de oxigênio (VO2 máx), que é o método mais utilizado para medir a capacidade funcional, estando esse valor diretamente relacionado com a performance do atleta.
Além disso, a medida desses gases pode fornecer dados importantes para definir o melhor treinamento para cada pessoa, uma vez que o exame consegue discriminar as diferentes fases do exercício.
Para fazer qualquer atividade física, o organismo precisa de energia, que vem da “queima” de carboidratos e/ou gorduras (e mais raramente de proteínas). Existem duas vias principais para a produção de energia: a via aeróbia e a anaeróbia. A via aeróbia necessita de oxigênio, apresenta uma produção mais eficiente de energia e tem como produtos finais do seu metabolismo água e gás carbônico que pode ser eliminado pela respiração. Por outro lado, a via anaeróbia não precisa de oxigênio, porém apresenta uma menor eficácia de produção de energia e gera acúmulo de ácido lático que pode ser prejudicial para o organismo.
A via aeróbia é utilizada preferencialmente em atividades contínuas, de longa duração e intensidade leve a moderada, já a via anaeróbia é mais importante em atividades de curta duração e alta intensidade como, por exemplo, numa prova de 100m rasos.
Um exercício contínuo e com intensidade progressiva, como no caso da ergoespirometria, apresenta 3 fases, sendo uma fase inicial predominantemente aeróbia, uma segunda fase com componente aeróbio e anaeróbio compensado e uma última fase em que ocorre uma descompensação do componente anaeróbio e acúmulo de grande quantidade de ácido lático.
Essas fases são separadas por dois limiares obtidos durante o exame: o limiar anaeróbio (1º limiar) que separa a 1ª da 2ª fase e o ponto de compensação respiratória (2º limiar) que separa a 2ª da 3ª fase. Para cada limiar existe uma freqüência cardíaca associada, logo, podemos definir uma faixa de freqüência cardíaca ideal para condicionamento aeróbio que se situa entre o 1º e o 2º limiar, sendo esses valores muito mais fidedignos do que os obtidos por cálculos a partir da freqüência cardíaca máxima.
Além de toda essa avaliação adicional ao teste ergométrico bastante útil para quem quer melhorar sua performance, a ergoespirometria pode ajudar a explicar alguns sintomas como, por exemplo, o cansaço e a falta de ar, sendo possível através do exame diferenciar entre uma causa cardíaca, pulmonar ou simples falta de condicionamento físico. Por último, este exame é muito importante em pacientes com problemas cardíacos, como insuficiência cardíaca ou infarto recente, que desejam fazer atividade física para reabilitação cardiovascular.
Dr. Alex Maia
Cardiologia geral e do esporte
Consultório: (11) 3285-3053 / 3253-2695
email: dr.alexmaia@yahoo.com.br
Escrito por Dr. Alex Maia às 12h12
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